História das Freguesias

Ribeira Brava

A Freguesia da Ribeira Brava, foi começada a povoar no início do século XV, no ano de 1440. Está situada na costa sul da Ilha da Madeira e foi das primeiras freguesias criadas na Ilha. Serve de cede para o Concelho da Ribeira Brava, que tem o mesmo nome, graças à sua impetuosa ribeira, que no inverno atinge grandes caudais. Há ao longo da história registo de diversas aluviões, que assolaram a Vila. Foram desbravadas florestas para começar o cultivo, juntamente com a criação do gado e da pesca. Com isso, foi garantido a subsistência dos primeiros povoadores. Surgiram assim as searas, as hortas, a vinha e as árvores de fruto anexadas às casas de palha tradicionais na altura, que mais tarde foram substituídas por luxuosas vivendas senhoriais. Nasceram na Freguesia o gramático e humanista Padre Manuel Álvares, José Anselmo Correia Henriques, José Ferreira Pestana, Belchior de Teive e o Visconde Herédia, mais tarde conhecido como o “Ribeira Brava”, muito importante para o desenvolvimento da Ribeira Brava e para a Ilha da Madeira.

O nome Ribeira Brava, Freguesia e Concelho, provém da impetuosa ribeira que atravessa a Vila, fruto dos cursos de água que nascem e percorrem a Serra de Água e que se juntam na Meia Légua, numa extensão total de 8km.

A Ribeira Brava sempre foi um lugar importante de paragem para aquelas pessoas que, principalmente antes da construção da Via Rápida, precisavam de se deslocar para o Funchal, vindas da zona norte ou zona oeste da Ilha, e aqui podiam fazer uma pausa.

Esta Freguesia vai do mar à serra e é constituída por diversos sítios. Tem 17,50 km² de área e 6.588 habitantes (censos 2011). A densidade é de 356,6 hab/km². Localiza-se a uma latitude 32.65 (32°39′) norte e a uma longitude 17.0667 (17°4′) oeste, estando a uma altitude de 0 metros. Nesta freguesia a atividade principal ainda é a agricultura, a pesca e o comércio.

A igreja matriz é de São Bento, que remota do século XV, já foi alvo de sucessivas transformações. Expõe magníficos painéis de nítida influência flamenga, representando a Virgem e o Menino, São Bento e São Bernardo.

Embora o Santo padroeiro seja o São Bento, a grande festa que se realiza na Ribeira Brava é a Festa do São Pedro, a 29 de junho, uma das mais concorridas romarias da ilha. Tem como pontos altos a descida da “charola” vinda do sitio da Fajã; a “dança de espadas” e o desfile de marchas. Das primitivas capelas, ermidas e igrejas, existe a de Nossa Senhora da Conceição, a de São João e a de São José (em ruinas), a da nossa senhora da apresentação, Nossa senhora da Boa Morte, e a Santo António e Almas.

A freguesia da Ribeira Brava oferece todos os serviços necessários ao bem-estar da população residente e para os turistas também, pois possui clinicas; centro de saúde; bombeiros; a sede da ACIN; PSP; agências bancárias; associações desportivas e culturais; finanças; supermercados; cais atracável; praia; piscinas; hotéis e alojamento local; restaurantes; cafés; pastelarias; lojas; mercado; estacionamentos etc. Para aqueles que procuram conhecer um pouco mais a história do concelho e da ilha no geral, o Museu Etnográfico da Madeira está situado na Vila da Ribeira Brava, lugar este que já foi um convento de frades Franciscanos e um engenho de cana de açúcar. No lugar onde hoje em dia há a Biblioteca Municipal, já foi um cinema e teatro e ainda, antes disso, foi um hospício. O Fortim de São bento, ou “calaboiço”, é atualmente um posto de informações turísticas.

Para quem gosta de passear pela natureza, é aconselhavel percorrer algumas levadas, como a Levada do Norte, que tem no total uma extensão de 62.716 metros, incluindo 36 túneis.

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Campanário

O nome “Campanário” teve origem quando os descobridores chegaram à Ilha da Madeira e ao passar pelo Cabo Girão viram um ilhéu com duas altas pernadas. Ao ver a rocha, com uma estrutura tão estranha, e tão parecida a um campanário, deram o nome à região de Campanário.

Campanário é freguesia desde o século XVI, de acordo com alguns registos, foi fundada a 15 de Maio de 1515. Até 1835 esteve integrada no concelho do Funchal. Entre 1835 e 1914 fez parte do município de Câmara de Lobos. Em 1914 passou para o concelho da Ribeira Brava.

A freguesia de Campanário é a segunda mais populosa do concelho. Situa-se na linha da costa (sul) a oriente da sede de Concelho”. Na época dos descobrimentos era conhecida por “celeiro da conquista”, pois era abundante em cereais, o suficiente para abastecer a ilha e as praças do Norte de África.

A existência de um Quartel Militar nesta freguesia, no sítio da Lapa e Massapez, revela a importância geoestratégica, deste lugar, na defesa da Ilha.

Campanário tem 11,80 km² de área e 4 582 habitantes (2011), com uma densidade populacional de 390,4 hab/km². Localiza-se a uma latitude 32.65 (32°39\’) Norte e a uma longitude de 17.033 (17°2\’) Oeste. Campanário fica a 10 km de Câmara de Lobos e a 5 km da Ribeira Brava. Divide-se pelos seguintes sítios: Tranqual, Igreja, Lapa e Massapez, Furnas e Amoreiras, Fajã Velha, Vigia, Porta Nova, Chamorra, Porto da Ribeira, Pedra, Roda e Massapez, Jardim, Adega, Cova da Velha, Serrado, Calçada, Lombo do Romão, Palmeira, Longueira, Chapim, Pedregal, S. João, Quebrada, Pinheiro, Rodes, Lugar da Ribeira, Lugar da Serra e Terreiros.

A actual igreja foi edificada em 1963. A data da construção da igreja anterior é desconhecida, porém havia uma inscrição no adro desta com a data de 1683. No entanto, esta sofreu várias modificações. Temos também as capelas de Nossa Senhora do Bom Despacho, Nossa Senhora da Glória e de S. João Batista. Outras existiram mas foram destruídas por acção humana, caso da Capela de Nossa Senhora da Conceição na Fajã dos Padres, destruído num ataque de piratas.

Terra conhecida pelos seus arraiais e costumes “sui generis”, tem muito para visitar e conhecer ao longo do ano. Uma das tradições mais apreciadas é a apanha da açucena para a festa de Nossa Senhora do Bom Despacho. No sector do turismo possui vários pontos de interesse turístico desde o mar até à serra, onde a prática de desporto pode ser desenvolvida, conforme o gosto do visitante. Sendo que nos últimos anos o alojamento para turismo rural tem crescido bastante. Um dos lugares mais aclamados é o Calhau da Lapa, local de veraneio e descanso, outrora porta de entrada para esta freguesia. A Fajã dos Padres também não fica atrás, tanto pelo famoso vinho malvasia, como pela paisagem ou tranquilidade, é um local que faz as delícias de quem lá vai.

Da população activa desta freguesia, aproximadamente 35 % dedica-se à agricultura, para venda ou então consumo próprio. Batata, vinha, banana, laranja e frutas tropicais são as culturas mais rentáveis.

No campo industrial, os sectores que mais se destacam são: construção civil, carpintaria e serralharia, oficinas de automóveis, mármores e blocos de cimento. Quanto ao comércio existe uma rede básica que dá cobertura às necessidades da população. A freguesia possui também uma extensão do centro de saúde da Ribeira Brava.

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Serra de Água

A 28 de Dezembro de 1676 foi criada a freguesia da Serra de Água, que pertenceu ao concelho da Ponta do Sol até 1914. Depois passou a pertencer ao concelho da Ribeira Brava quando foi elevada a Concelho, graças ao Visconde Herédia, ou o “Ribeira Brava”. A Serra de Água está rodeada de um denso arvoredo e de altos montes, entre os quais sobressaem os picos da Cruz, do Cedro e o Pico Grande, num total de aproximadamente 19 picos. No pico da Encumeada, a cima do Curral Jangão, existe uma pequena área que pertence à Laurissilva. Como está no centro da ilha, a sua rocha serve de estudo geológico, possuindo dois geositios, um na Fajã dos Vinhaticos e outro no Lombo do Mouro. A freguesia é irrigada por ribeiros e ribeiras, que juntas formam a ribeira que desagua na Ribeira Brava.

O seu nome deriva da utilização de engenhos destinado à serração de madeiras, movidos com a força da água da Ribeira, as “serra(s) de água”, nome esse que posteriormente se estendeu a toda a freguesia. A Ribeira também servia de “transporte” para fazer as madeiras chegarem a vila da Ribeira Brava. Assim, o comércio e a exportação de madeira geraram grandes lucros para estes habitantes, que também se dedicavam á agricultura, apicultura, á pastorícia e ao fabrico de manteiga.

A Serra de Água está situada no centro da Ilha, na parte sudoeste. Tem uma área de 24,70 km² de área e 1049 residentes/ habitantes (dados dos censos de 2011), com uma densidade de 43,4 hab/km². Localiza-se a uma latitude 32.71667 (32°43′) Norte e a uma longitude 17.033 (17°2′) Oeste, estando a uma altitude de 640 metros.

Aqui existe uma escola, pavilhão, praceta, estacionamento, farmácia, multibanco, cabines telefónicas, praça de táxis, diversos bares (onde é oferecida a famosa poncha), restaurantes, alojamento local, um hotel e uma pousada, bem como lugares de lazer e miradouros, na estrada que sobe para a Encumeada. Um ponto de interesse será a famosa Central Hidroelétrica, a primeira a ser construída na ilha da Madeira e inaugurada em 1953 pelo General Craveiro Lopes.

A padroeira da freguesia é a Nossa Senhora da Ajuda e é venerada a 15 de agosto.

É feita anualmente a Mostra da Poncha e do Mel e demonstração de artesanato, da freguesia, normalmente no último fim de semana de janeiro. É um lugar agradável para viver e também para passear, possuindo trilhos, veredas e levadas para percorrer, ao mesmo tempo que se pode deslumbrar pela paisagem do “vale mais bonito da Europa”.

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Tabua

Situada nas duas margens da ribeira com o mesmo nome (que nasce no Pico das Pedras), a freguesia da Tabua foi criada na última metade do século XVI, por volta do ano 1588. Existe um antigo documento acerca desta paróquia que data de 2 de Julho de 1743 e que estabelece o Curato paroquial.

A freguesia foi anexa à  Ponta do Sol, a partir de 18 de Outubro de 1881, para efeitos administrativos. No entanto, em 1914 passou para o concelho da Ribeira Brava. Situada à beira-mar na costa sudoeste da Ilha da Madeira, é a freguesia mais pequena do concelho da Ribeira Brava. A paróquia teve origem na capela da Santíssima Trindade, substituída pela de Nossa Senhora da Conceição. A antiga capela de Nossa Senhora da Conceição foi destruída por um aluvião. A igreja paroquial data dos fins do século XVII.

O nome Tabua deriva de “Atabua”, ainda hoje usado por alguns. Teve origem numa planta (utilizada no fabrico de esteiras e fundos de cadeiras) que crescia em abundância naquela zona chamada “Tabua”. Em 1838 o Padre António Francisco Drumond e Vasconcelos alterou o nome de “Atabua” para Tabua.

TA freguesia da Tabua tem 11,10 km² de área e 1 156 habitantes (2011), com uma densidade de 104,8 hab/km². Localiza-se a uma latitude 32.667 (32°40′) Norte e a uma longitude 17.0833 (17°5′) Oeste. A Tabua tem uma estrada que liga a Calheta ao Funchal. A Ribeira de Tabua nasce junto ao Pico das Pedras (altitude de 1510 metros), tem de curso 7 km e desagua na freguesia.

Nesta freguesia existem as capelas de Nossa Senhora da Candelária (em ruínas), Nossa Senhora da Conceição e a Capela da Mãe de Deus.

A actividade principal nesta freguesia é a agricultura. Encontramos em abundância o cultivo de vinha, cana-de-açúcar e banana.

No campo cultural podemos destacar as romagens da noite de Natal, o cantar dos Reis, a visita do Espírito Santo, a festa da Santíssima Trindade e a Festa de Nossa Senhora das Candeias que se realiza na capela de Nossa Senhora da Candelária a 2 de Fevereiro. Na parte recreativa do campo cultural podemos destacar o grupo de idosos que toca castanholas nas Missas do Parto.

Curiosamente, encontramos nesta freguesia algumas das mais belas casas senhorias da Ilha da Madeira. Algumas destas estão transformadas em casa de turismo rural. Inclusive, o turismo rural de habitação é uma actividade que parece estar em expansão nesta freguesia.

Aqui também temos alguns percursos de levadas, muito aprazáveis para aqueles que gostam, visto estas serem acompanhadas de belas vistas.

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